Investimento em Insurtechs atinge os 7 mil milhões, ultrapassando os níveis pré-COVID-19
Quinta, 27 Maio, 2021

A NTT DATA apresentou a quinta edição do seu relatório Insurtech Global Outlook 2021, o estudo que analisa as principais tendências do ecossistema das insurtech e o impacto que as tecnologias avançadas e os novos modelos de negócio tiveram ao longo de 2020.

O relatório examina o mercado, tendo em conta o possível impacto da pandemia, concluindo que a incerteza e o aumento dos riscos incentivam e aceleram os investimentos em insurtechs. Também salienta que foram realizados investimentos diretos em insurtech durante o ano de 2020, tanto em empresas bem estabelecidas como em empresas novas e disruptivas.

O estudo analisa em detalhe questões tão variadas como os investimentos recebidos por insurtechs por região, linhas de investimento empresarial e tecnológico. Analisa também as empresas em que as seguradoras decidiram investir, a forma como estes investimentos são distribuídos por diferentes áreas da cadeia de valor dos seguros, bem como os principais movimentos no que diz respeito aos ecossistemas das seguradoras. As análises são conduzidas a partir de diferentes pontos de vista, ainda que complementares, tais como os das insurtechs e dos gigantes tecnológicos.  

Os resultados do relatório revelam que 2020 foi um ano em que tanto as seguradoras como as insurtechs conseguiram mitigar as consequências da COVID-19 de uma forma extremamente ágil e simplificada. O documento refere que estas empresas conseguiram aproveitar a situação para acelerar os seus processos de digitalização.

Apesar de receber valores recorde de investimento, o real impacto das empresas Insurtech no mercado ainda é questionado por várias razões, como a quota de mercado, os resultados financeiros ou a captação de mercado. As organizações com estes modelos de trabalho têm ainda de se instalar nos mercados, gerando a disrupção prometida àqueles que apostaram neste modelo e que, num contexto como o atual, deviam estar estabelecidas mais profundamente. Há um longo caminho a percorrer para alcançar um nível ótimo de disrupção. Um reflexo disto é o facto de que as empresas com crescimento sustentado não entram no mercado com uma grande quota de uma forma relevante.

A análise, contendo todas estas variáveis, cria uma imagem realista do setor, das preferências dos investidores e das tecnologias que definem a tendência que está a reformular o universo segurador na nova era digital.

Além disso, a capacidade de automatizar informação em tempo real com tecnologia de análise de dados - que integra um repositório com informação detalhada sobre a atividade das startups relacionadas com o setor segurador em todo o mundo - ajuda a atualizar e a analisar constantemente a informação essencial e a assegurar uma perspetiva mais realista e precisa.

Bruno Abril, Sócio da NTT DATA EMEAL Insurance, explica que: "As insurtechs são agora vistas como um ativo valioso pelas companhias de seguros, que sabem que estas podem ter um impacto altamente positivo nos seus negócios. Conhecer detalhadamente estas empresas e quais as suas contribuições dentro do setor traduz-se em saber aproveitar novas oportunidades e enfrentar desafios, avançando com maiores garantias de sucesso."

Maior investimento, inovação, personalização e tecnologia como base de tendências

As Insurtechs estão a viver um momento único. Não só conseguiram ultrapassar a incerteza gerada pela COVID-19, como conseguiram atrair mais investimento, atingindo 7.000 milhões de dólares, se considerarmos as empresas que se tornaram públicas durante o ano (Lemonade e Root, avaliadas em 1.000 milhões de dólares). Isto reflete-se nos números trimestrais, embora seja verdade que o investimento se manteve em níveis anteriores à COVID-19, atingindo 6.000 milhões de dólares - apenas menos 6,25% do que em 2019, onde seis operações até representaram um montante recorde no 3.º trimestre de 2020, com 1,5 mil milhões de dólares, na sua maioria, de Super Negócios na Europa e América do Norte.

Apesar de estarem, de facto, num bom momento, em termos de investimento, é também um momento-chave para se instalarem no mercado e demonstrarem que o seu potencial disruptivo tem um impacto real nas empresas. Para já, nem mesmo os casos expostos que se tornaram públicos (Limonade e Root) com um crescimento sustentado de 100% e recentemente colocadas em bolsa conseguiram aumentar a sua quota de mercado em mais de 0,1-0,2%.

Tendo em conta este cenário, as tendências são claramente diferentes numa comparação anual, devido a um contexto mais acelerado e a uma procura mais forte do mercado para atingir objetivos.

Por um lado, a pandemia mudou os modelos de consumo e, no setor dos seguros, isso não foi diferente. Com um maior grau de personalização, determinou-se que a aceleração de novos modelos é clara: os modelos pay-per-use (pagamento por utilização), a telemedicina, as ferramentas de diagnóstico ou a digitalização da distribuição estão a crescer, como o seguro baseado na UBI (Seguro baseado na Utilização), bem como os wearables, ganharam mais dinamismo durante o ano. A isto somam-se as plataformas de corretagem e de seguros de ativos digitais, que receberam investimentos relevantes e o anúncio de rendimentos em 2020.

Por outro lado, a crise pandémica não impediu as seguradoras de continuarem o seu caminho de digitalização, o que confirma a visão destas de que as Insurtechs impulsionam a transformação digital e a inovação do setor contínua em força. No ano passado, as seguradoras alocaram quase 1.600 milhões de dólares em modelos de startups, aumentando os investimentos face a 2019 em 61% ao longo do ano de 2020, dos quais 445 milhões foram para Insurtechs.

Quanto aos detalhes destes investimentos, as seguradoras centralizaram a maior parte das suas capitalizações em startups em fase de crescimento, com uma média de 23 milhões por ronda em 2020. Além disso, dentro destas apostas, os investidores de seguros focaram a sua seleção em empresas que trabalham com tecnologias como a cloud, dispositivos móveis e aplicações, além das suas preferências em modelos de negócio centrados na personalização de seguros, agregadores, plataformas e comparadores.

Estas novas empresas apoiadas pela tecnologia - muitas delas baseadas na IoT - estão a promover a transição do setor segurador da proteção para a prevenção.

As seguradoras e startups estão a usar conjuntos de dados únicos e Inteligência Artificial para reduzir e gerir os custos de sinistros, ajudando os clientes a prevenir eventos indesejados. Além disso, em 2020 registou-se um crescimento especial da IoT, com impacto em todas as linhas de negócio: automóveis com seguros baseados na utilização, seguros de saúde e vida através de wearables, mas também em casa com dispositivos de deteção de fugas, inundações ou comercialmente com políticas paramétricas de transporte e riscos especiais. Os wearables, as ferramentas de diagnóstico e aplicações de bem-estar foram três das principais tendências em 2020. As tecnologias transversais apoiam todas as linhas de negócio que contribuem para melhorar a experiência do cliente e aumentar a sua eficiência de gestão.

Mercados emergentes e diferenças regionais nos investimentos

Alguns operadores asiáticos compreendem perfeitamente, há anos, o conceito de ecossistemas no setor dos seguros. Isto deve-se principalmente ao facto de esta região ter acesso às três variáveis necessárias para impulsionar os ecossistemas: grandes populações, adoção de tecnologia, e baixa penetração de seguros. Nestes enormes mercados, existe um elevado nível de adoção digital pelos utilizadores e, em geral, uma taxa de penetração de seguros muito baixa (-1%), enquanto um mercado consolidado noutra área atinge quase 5% -, o que faz com que estes modelos de negócio B2B2C funcionem notavelmente bem para a Insurtech ou para as seguradoras. Oferecem seguros - microsseguros incluídos - nos canais de outros atores, o que permite uma nova distribuição digital que reduz elementos tais como o custo de aquisição de clientes. Desta forma, estes ecossistemas ligados também produzem outros tipos de melhorias, tais como a criação de uma melhor experiência de cliente, ou o acesso direto aos dados do cliente final.

Embora a participação das seguradoras asiáticas em anos anteriores tenha sido relevante, em 2020 lideraram os Super Negócios ou acordos de investimento com maior efeito de atração e eclipsaram as seguradoras europeias e americanas. Assim, os investidores de seguros asiáticos, quatro dos quais lideraram as maiores rondas em 2020, concentraram mais de 1.100 milhões de dólares de investimento.

Também são evidentes dois grandes tipos de comportamento de investimento por parte das seguradoras. Por um lado, a concentração de investimento foca-se nas startups mais avançadas e nos modelos mais consolidados (os chamados outliers) com operações de mais de 100 milhões de dólares, localizadas principalmente nos Estados Unidos e na Ásia. Mas, por outro lado, o estudo demonstra que a maior parte das operações são em empresas mais jovens que começam a usar os seus modelos (os chamados padrões) e que complementam a oferta de valor, além de transformarem parte da sua cadeia de valor. Estas empresas são principalmente europeias, e as operações rondam os 5 milhões de dólares.

Para mais informações, faça download do relatório completo aqui